terça-feira, 17 de agosto de 2010

MISSÃO URGENTE - VÁ E PREGUE

 “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.”
Mt 28.18, 20


“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado”.
Mc 16.15,16


A grande comissão de Jesus Nosso Senhor foi determinada de forma clara, pois a loucura da pregação é o modo usado por Deus para a Salvação do ser humano. Tendo sempre isso em mente, devemos usar de todos os meios para proclamar o Evangelho a todos os povos.
Missões é o grande empreendimento legado de Jesus à sua Igreja triunfante e militante. Todo cristão tem o dever de ser uma testemunha de Jesus Cristo onde quer que se encontre - deveras, cada vez que o cristão se comporta de forma condigna do Evangelho, ele se torna sal e luz no mundo. Isso não significa aceitação social, mas impacto social. Foi assim que os cristãos primitivos cumpriram seu papel na grande comissão.
Em meu pequeno opúsculo, não tenho a empáfia de resolver o assunto, muito menos de fechá-lo, todavia, escrevo conforme creio, pois creio e confesso e isso me leva à ação. Nesses poucos anos de ministério pastoral, os quais, na maior parte dos mesmos, passados no campo missionário, ouvi vários argumentos e questionamentos (pelo menos uma dezena) sobre Missões e os povos não alcançados bem como missões dentro do plano soteriológico.
Um dos questionamentos mais freqüentes quanto à salvação e missões se dá por conta da questão dos que não ouviram e morreram; entre eles o caso dos índios, visto que só uma parte deles tem o testemunho do Evangelho, enquanto a outra parte jaz em densas trevas. Gostaria de desenvolver o assunto em forma de perguntas e respostas, creio que assim será mais elucidativo.
A primeira pergunta é quanto à bondade de Deus: Não seria injustiça Deus condenar quem ainda nada ouviu? Não. Todo ser humano já nasce merecedor da justiça de Deus, o grande problema das pessoas é a falta de entendimento do que é justiça e injustiça.
Quando o Senhor condena um ser humano, a culpa não é de Deus, mas do homem, que já foi concebido em iniquidade e nascido em pecado (Sl 51.5); condenado por um crime que cometeu em Adão, pois este era seu representante, e a queda dele foi a de toda a raça humana (Rm 3.23): “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”; bem como o salário do pecado é a morte (Rm 6.23).
Mas como temos ligação com o pecado de Adão? Simples, estávamos nele, assim como Levi estava em Abraão, dando o dízimo a Melquisedeque: “Pois Levi não tinha nascido, e, por assim dizer, ainda estava no corpo do seu antepassado Abraão quando este se encontrou com Melquisedeque” (Hb 7.10, NTLH).
Sendo Assim, já foi visto como morremos em Adão, como o pecado dele foi o nosso. Daí recorre a questão da Justiça X Injustiça. Ninguém quer ter um Deus injusto, mas todos querem um Deus Justo, mas como argumenta belamente Paul Archer, visto que Deus é justo, você está em grande problema, pois Deus é justo, no entanto você é injusto. Visto ser esse um fato, pois a Escritura está repleta dessa doutrina da depravação total do ser humano em textos como Gn 6.5: todo o pensamento humano é mau; Sl 143.2: “ À vista do Senhor não há ser vivente justo”; Rm 3.10: “como está escrito: Não há justo, nem um sequer”, ainda pode ser dito que o ser humano naturalmente não entende nada das coisas referentes a Deus (Rm 3.11): “não há quem entenda, não há quem busque a Deus”. O mesmo verso informa ainda que não há quem busque a Deus, nisso pensando, fica evidente que isso é impossível ao homem, seja ele silvícola ou urbano. Categoricamente o homem não tem livre arbítrio, pois nem pode achegar-se a Cristo (Jo 6.64).
Posto que Deus seja Justo e como foi visto, o homem é injusto, pode-se definir justiça por “receber o que se merece” e o que merecemos, senão o inferno?   A salvação é pela graça e graça é favor não merecido, você não conquista, você ganha de presente (Ef 2.8,9). Deus não usa justiça com alguns, usa de misericórdia, não aplicando neles a justa pena que seus pecados merecem e os salva segundo o propósito de sua vontade (Rm 8; Rm 9; Ef 1.4-11). Quanto aos outros, recebem justiça de Deus, tenham eles ouvido e rejeitado o Evangelho, ou tenham eles nunca ouvido uma pregação da Palavra de Deus.
Por esse motivo deve-se empenhar todo e qualquer esforço na obra missionária, tanto nacional quanto transcultural, pois todo o ser humano está andando para a perdição eterna. Portanto devemos pregar, pois a ordem foi dada, e todos os eleitos ouvirão e crerão no Evangelho. Mas alguns poderiam dizer: “então pregue somente aos eleitos”, ao que pode ser respondido – mostra-nos os eleitos que iremos a eles! Como não se sabe quem são os escolhidos de Deus, deve-se pregar a todos os homens.
E a pregação é o meio usado por Deus para a salvação do ser humano (1Co 1.18, 21-25): “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus [...]Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.”
Poderia ainda trazer a discussão Romanos 10.8-15: “Porém que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos. Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação.  Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que nele crê não será confundido. Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!”
Aquele que invoca é o que ouviu a mensagem da fé em Cristo pregada pelos cristãos e tornada irresistível pelo Espírito Santo – como invocarão aquele em quem não creram? Outra questão deve ser tratada. Como se dá a fé? Não seria ouvindo e crendo no Evangelho, por meio da ação irresistível do Espírito Santo? Sim, veja novamente; “O meu ensinamento e a minha mensagem não foram dados com a linguagem da sabedoria humana, mas com provas firmes do poder do Espírito de Deus. Portanto, a fé que vocês têm não se baseia na sabedoria humana, mas no poder de Deus” (1Co 2.4,5); “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” (Hb 10.17).
Como fica a situação dos índios e dos que ainda não ouviram? Eles como qualquer outro ser humano, precisam ouvir o Evangelho e receber o novo nascimento dado por Deus.
Mas, o Evangelho não está em sua consciência? Não, o que há em suas consciências é a Lei, e a Lei não pode salvar ninguém, ninguém é absolvido por obedecer a Lei, seja ela escrita em tábuas de pedra, preceitos humanos ou na consciência. Uma primeira leitura parece amparar quem defende uma salvação pela consciência, no entanto, não é isso que Paulo tem em mente ao referendar a consciência indesculpável dos seres humanos: “Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se” (Rm 2.15).
Veja que os pensamentos, tendo a Lei como base, processam uma reprovação ou uma aprovação (acusação X defesa) em todo o coração humano, no entanto nunca uma absolvição, esta palavra absolvição não se encontra no texto acima, pois se uma absolvição com base no julgamento da consciência de algum pecador morto em pecados pudesse absolvê-lo de suas transgressões com base naquilo que ele já tem de conhecimento rudimentar da natureza, sem a pregação do Evangelho, seria isso um início de auto-salvação e sendo a mesma pelas obras.
Longe disso, a Escritura é taxativa ao informar que a Salvação vem de Deus (Jn 2.9): “Mas, com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei. Ao Senhor pertence a salvação!”; “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).
Pode-se ainda colocar outra barreira intransponível ao argumento da salvação pela consciência. A que Paulo em 1Co 4.4 diz: “Porque de nada me argúi a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor”. Quem é o juiz? Paulo se dá por satisfeito tendo como base somente a consciência?
O Apóstolo dos Gentios dá outro golpe na “salvação por consciência” – ao dizer que alguns tinham uma consciência fraca (1Co 8.7), sem contar aqueles que pela insistência em sua iniquidade contumaz cauterizaram a própria consciência (1Tm 4.2). Encerrando o assunto tomo o texto sagrado e, novamente Paulo fala que os descrentes têm a consciência corrompida (Tt 1.15). Segue-se as perguntas: quem é descrente? E, como encontra-se o estado de suas consciências? Mesmo este testemunho da lei Escrita na consciência não salva, assim como Rm 1.18-23, diz que pode-se conhecer algo de Deus, e de seus atributos invisíveis por meio daquilo que Ele fez, isto é, a criação e a própria consciência, mas isso, ao invés de salvar, serve para que o homem seja indesculpável, veja: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis.”  
Resumindo, como é a consciência dos incrédulos?
1. Fraca (1Co 8.7)
2. Cauterizada (1Tm 4.2)
3. Corrompida (Tt 1.15)
4. Raciocínio Nulos (Rm 1.21)
5. Corações insensatos e obscuros (Rm 1.21).

Qual é a condição de todos os homens? Mortos.
Qual é a condição das consciências humanas? Depravadas, corrompidas, cauterizadas, nulas, insensatas, obscuras – isso é; sem ação salvífica.
Qual a condição dos pecadores sem a graça? Mortos em delitos e pecados
Qual é o meio de graça usado por Deus para a Salvação dos pecadores? A  pregação do Evangelho escrito.
Há diferença quanto à natureza do índio e daquele que mora no grande centro urbano? Não, os dois são igualmente perdidos e carentes da graça salvadora.
Se alguém morre sem ouvir a pregação? Morre na sua maldade (impiedade, Ez 3.18,19). Por isso é imprescindível usar de todos os recursos e depreender todos os esforços para a pregação do Evangelho e que o mesmo chegue a todos os recantos do mundo, pois é isso que a Escritura nos ensina em suas páginas – Quem crer (Mc 16.16). Como crerão? Crerão em quem?
Que Cristo Jesus nos dê a capacidade de pregar o Evangelho da Salvação a todos os homens que estiverem ao nosso alcance; e aos que estão longe, possamos usar de todos os meios para levar a eles o Evangelho, se possível até mesmo indo até eles, pois só serão salvos por meio da pregação.
Não sejamos relapsos em nosso supremo dever de evangelizar, usando uma boa teologia de forma errada, nem tampouco heterodoxos usando má teologia por mera preferência pessoal, nem ainda sejamos obstinadamente ignorantes, rejeitando o testemunho das Escrituras.
Soli Deo Gloria

8 comentários:

Pr. Luiz Fernando disse...

Prezado colega Rev. Geremias,
excelente texto e muito bem fundamentado. A abordagem da salvação pela consciência foi muito boa. Pena que o nobre colega esteja escrevendo pouco sobre temas tão relevantes. No meio de tantos descalabros suas colocações são bálsamos de refrigério.
Parabéns e continue.
Um forte abraço
Em Cristo

Rev. Geremias Vale disse...

Caríssimo cologa Pr Luiz
è sempre uma alegria ler seus artigos, sinto-me honrado em que nos brinde com seus comentários, quanto ao tempo, eu tenho procurado escrever a medida que o tempo no campo missionário me permite. Espero escrever com mais frequencia se assim nosso Deus permitir
Forte abraço
Deus o Abençõe

Filipe Luiz C. Machado disse...

Ainda não conhecia vosso blog.
Excelente postagem.
Em tempo oportuníssimo!

Um abraço e já estou seguindo-o!

Filipe - www.2timoteo316.blogspot.com

Rev. Geremias Vale disse...

Caríssimo Filipe
somos gratos por sua visita, ainda agradecemos a Deus pela Bíblia que fala sempre orientando-nos.
um grande abraço

Gaucho disse...

A Paz

Com grande surpresa recebi por email esta msg, logo após chegar da igreja, e o tema daquela noite no culto justamente haviamos pregado MC 16,15 e MT 28,19. Certamente o Espírito Santo se move em nossos corações e nos mostra a direção. A hora é chegada de pregarmos o evangelho da salvação.

Plinio M Neto
IBN
São Gabriel - RS

Rev. Geremias Vale disse...

Caríssimo Plinio!
Sem dúvida alguma, Deus em sua sabedoria e onipotencia faz tudo segundo o conselho de sua soberana vontade. Nisto consiste a goria da igreja: pregar as boas novas a um mundo que é semelhante a visão de Ezequiel, (ossos sequíssimos) ele mesmo dando a vida, no entanto usando a nossa pregação, obra essa que os próprios anjos intentaram realizar, no entanto Deus concedeu essa suprema tarefa a homens como nós, falhos, vazos de barro, no entanto portadores da graça Divina.
Soli Deo Gloria

Josué disse...

Nobre reverendo!!
Muito enriquecedor o seu documentário a qual deixa os adeptos do livre arbitrio sem explicações e mudos, estamos aprendendo com o mesmo dou graças ao nosso Deus por aprender com o nobre é em seus artigos e também com as conversas, que Deus continue abençoando o rev em sabedoria e graça!!!
Gratia et Pax!!!

Rev. Geremias Vale disse...

Caríssimo Josué!
realmente o que tachamos de "livre-arbítrio" nada mais é do que uma verdadeira falácia, no mínimo uma quimera. Nosso Senhor nos pede obediencia com amor, retidão sem farisaímo, firmeze sem intolerância e paz sem indolência. quando vemos o que temos recebido pela graça de nosso Bondoso Deus, como deixar de compartilhar isso, visto que Deus é a ùnica nessecidade vital do ser humano.
Soli Deo Gloria