domingo, 28 de novembro de 2010

A NECESSIDADE DA IGREJA COMO INSTITUIÇÃO


Artigo original escrito por Ronald W. Kirk

Algumas coisas parecem ser tão axiomáticas que temos a tendência de aceitá-las sem reservas. Por exemplo, as Escrituras assumem claramente uma instituição chamada "igreja" como normativa. Nestes tempos em que muitos cristãos, de modo cada vez mais insistente, questionam as tradições eclesiásticas e procuram uma ortodoxia bíblica dinâmica para governar e corrigir as atividades as atividades ordinárias e extraordinárias da vida, a igreja como instituição encontra-se sob análises cada vez mais críticas. O movimento informal de "igrejas nos lares" cresce cada vez mais em popularidade. Aqui gostaríamos de analisar uma perspectiva normativa da igreja como instituição a partir de sua necessidade. A igreja institucional possui uma importância crucial, visto que governa a vida congregacional por meio de sua estrutura e de sua disciplina. A igreja, como instituição, existe para promover entre os santos uma vida centralizada no Evangelho.
Os Dois Mandamentos de Cristo estabelecem um fundamento. O amor piedoso manifesta-se em várias expressões.
Glorificar a Deus é o propósito global da Igreja. Glorificar a Deus significa colocar o enfoque apropriado n'Ele, "pois nele nos movemos, existimos e vivemos". Uma criança olha para seu pai. Quem tem sede olha para o manancial de águas. Enfocar nossas vidas em Deus, de modo agradável a Ele, é a essência do verdadeiro amor. Todo relacionamento com Deus envolve ética, nosso posicionamento diante do bem e do mal. Portanto, amar a Deus significa obedecer a Deus. E para obedecer a Deus, precisamos saber o que Ele requer de nós. Para saber o que Ele requer de nós, precisamos conhecer e entender a Sua Palavra. Para tanto, é necessária a perícia na aplicação da Palavra. Desse modo os cristãos aprendem a viver de acordo com a pureza do Conselho Revelado de Deus. Nesse sentido, a educação cristã é, antes de tudo, um estilo de vida devocional.
Deus criou o homem à Sua imagem para estabelecer um companheirismo eterno. Porém, devido à natureza humana pecaminosa, é muito difícil formar uma atitude devocional completa e prática de adoração em todas as esferas da vida. Por isso precisamos de disciplina espiritual. Em todas as coisas os cristãos devem viver, conscientemente, pela fé, além da razão ou das preferências humanas, pois nenhum outro caminho agrada a Deus. Deus requer uma vida dada como morta, completamente dedicada a Ele, sem reservas de espécie alguma.
Não obstante, o Cristianismo é mais do que uma devoção pessoal. Deus ordena a Seu povo que domine a terra, que encha a terra por meio do fruto de seu trabalho fiel. Aprendemos habilidades específicas que nos capacitam a alcançar grandes realizações, de modo que obtemos um certo domínio de nossos dons e talentos. Da mesma forma, separamos tempo para oferecer nossas vidas por meio de nossos dons e talentos, a fim de servir ao Senhor. A utilização sadia dos recursos naturais que Deus nos concedeu como expressão de amor ao próximo faz com que a coletividade se beneficie do fruto do trabalho individual. Isso também é amor. Tal é a natureza dos dons que Deus distribui aos homens, de maneira individual, segundo a Sua vontade, de modo a contribuir para a edificação de toda a comunidade. Desse modo, a produtividade econômica expressará o amor a Deus e ao próximo.
Amar ao próximo é uma prova da obra efetiva de Deus no Cristianismo. O lar é essencial como a primeira esfera de vida no Evangelho. Como todas as relações com Deus são pactuais, e como o lar é a primeira esfera de vida no Evangelho, a responsabilidade pela preparação de nossos filhos para a eternidade repousa sobre os nossos ombros. A educação cristã é essencial. Se podemos amar seriamente aqueles que convivem conosco na intimidade de nossos lares, devemos ser capazes de amar outras pessoas também. Se vencermos o egoísmo na esfera de nossos lares, poderemos vencê-lo para que possamos amar em esferas maiores. De modo inverso, se não podemos amar nossa família, qualquer tipo de "amor" que manifestemos para outras pessoas, não passará de fingimento hipócrita.
Esses são elementos mínimos que descrevem uma comunidade eclesiástica que se esforça para viver de modo agradável a Deus. Então, qual a importância da Igreja como instituição?
Consideremos primeiro o que não é a Igreja como instituição. A igreja não é um substituto para o lar e para a família. Não existe para usurpar o lugar que cabe por direito à família. Não existe para controlar as pessoas por meio de regras humanas. Não representa um sacerdócio especial ou intermediário entre Deus e os santos. A igreja não existe para vender serviços (ou ministérios). Os cristãos não existem para servir à instituição igreja, antes, a igreja, como instituição, existe para servir aos cristãos.
A igreja funciona de formas que nenhuma outra instituição ou associação humana poderá funcionar. Existe, é claro, uma distinção entre a "assembleia dos santos" e a igreja formal com suas várias autoridades e funções específicas. Aqui, o princípio bíblico de "liberdade sob a lei do Evangelho" servirá para ajudar-nos a entender a necessidade tanto da igreja como comunidade dos santos quanto da igreja como instituição. Assim como o governo civil exerce autoridade com o propósito de servir aos cidadãos, a igreja como instituição exerce autoridade sobre os santos, a fim de ajudá-los a praticar os Dois Mandamentos em todas as suas diversas expressões. Portanto, a igreja como instituição deve possuir certo poder para cumprir suas funções.
De modo que a igreja como instituição desempenha uma função governamental. Assim como o indivíduo é importante, também é importante a união pactual dos fiéis. Deus quer que Sua glória repouse sobre a humanidade até as partes mais remotas do mundo. Portanto, a igreja provê uma identidade federal para vincular o indivíduo e sua família à comunidade mais ampla dos santos. Igualmente, a igreja como instituição provê uma representação visível e federal dos santos para o resto do mundo.
Além disso, a missão do Cristianismo é imensa, e o indivíduo é intrinsecamente fraco. Deus provê instituições maiores para gerar ordem quando as instituições locais são fracas ou defeituosas. Ainda que a virtude individual seja uma meta do fundamental do Cristianismo, nossa maior força encontra-se na união cristã. A igreja oferece um apoio essencial ao indivíduo e à família em suas responsabilidades cristãs. Os homens são frágeis na luta contra o pecado. Precisamos de toda a ajuda possível na luta contra nossa natureza pecaminosa. Por exemplo, Deus nos deu primeiro o Sabbath e depois o Domingo - o Dia do Senhor - para nos ajudar a fazer duas coisas que achamos difíceis de concretizar: o descanso e a adoração coletiva. Devido à sua importância e comodidade natural, o lar pode oferecer uma formidável resistência contra o mero fato de reunir-se com outros companheiros crentes. Dessa forma, a igreja formal provê aquela estrutura e disciplina necessárias para nos ajudar a praticar as coisas de Deus dentro e fora de nosso lar. A disciplina baseada na fé batalha pelo amor perfeito.
A igreja formal existe para manter e propagar a pureza do Evangelho. Os pastores (ou presbíteros) são homens com um chamado, com dons e preparação especiais para servir ao povo de Deus. A Igreja, por muito tempo, tem ostentado corretamente a posição de detentora dos oráculos de Deus. Os presbíteros governam e são capacitados para o ensino. Não que retenham sacerdotalmente a Palavra ou a dispensem "ex cathedra". O mestre cristão pratica o cuidado constante para ser achado fiel em seu tratamento e distribuição da verdade. Isso não quer dizer que a congregação não pode aprender de modo independente. De fato, parte do trabalho pastoral é educar no uso das Escrituras, de modo que a igreja não seja independente de seus oficiais. A tarefa do pastor é equipar os santos para toda boa obra, a obra do ministério cristão.
Da mesma forma existem outras funções e ministérios governamentais que pertencem à igreja como instituição. Assim como os levitas coletavam o dízimo, ministravam educação, ajudavam os necessitados e apoiavam a adoração centralizada do sacerdócio, a igreja local, igualmente, representa um armazém apropriado segundo o Novo Testamento. A igreja possui autoridade para a orientação apropriada das atividades cristãs. Isso é liderança moral. O presbitério ajuda a estabelecer uma visão local e guia a congregação para dar seu fruto apropriado. Estimula o companheirismo, o evangelismo, e vários ministérios apropriados para a comunidade local e segundo os dons da congregação. O pastor articula um apropriado modelo de vida para a congregação de acordo com a Palavra de Deus. A liderança da igreja supervisiona a ordem da adoração, estabelece os horários de reuniões, entre outras funções. Tudo isso pertence claramente aos líderes da igreja formal. Jay Adams disse que o pastor biblicamente orientado e a congregação corretamente ensinada são aptos para o aconselhamento. Em último lugar, pela necessidade de manter a pureza do Evangelho e sua paz, Deus outorgou a disciplina jurídica à igreja.
Em conjunto, a igreja como instituição provê visão, preparação e estímulo - de maneira correta - para a congregação no cumprimento de seu chamado. O ministério voluntário mútuo edifica as associações da igreja. O ministério externo serve à causa da Grande Comissão. A igreja institucional, com a sua perícia e a sua função de disciplinar e governar, é indispensável. Portanto, não abandonemos a prática da reunião e da edificação na igreja local.

Traduzido do Espanhol por F.V.S.


domingo, 21 de novembro de 2010

UNIVERSIDADE MACKENZIE: EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO RELIGIOSA

A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadasanti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro.
Para ampla divulgação.

domingo, 31 de outubro de 2010

O DIA EM QUE O PAPA TREMEU


NO DIA 31 DE OUTUBRO DE 1517, HÁ 493 ANOS ATRÁS, UM MONGE AGOSTINIANO CHAMADO MARTINHO LUTERO AFIXA SUAS 95 TESES NA PORTA DA IGREJA DE WITTENBERG, ALEMANHA, PROTESTANDO CONTRA A VENDA DE INDULGÊNCIAS QUE OBJETIVAVA LEVANTAR FUNDOS PARA A CONSTRUÇÃO, EM ROMA, DA BASÍLICA DE SÃO PEDRO.

ESSA DATA TORNOU-SE UM MARCO NA HISTÓRIA DO CRISTIANISMO, SENDO COMEMORADA, A CADA ANO, COMO O DIA DA REFORMA.

MAS COMO TUDO ISSO COMEÇOU?

10 DE NOVEMBRO DE 1483 – NASCE MARTINHO LUTERO, NA PEQUENA CIDADE DE EISLEBEN, NUMA FAMÍLIA DE ORIGEM CAMPONESA MAS QUE VIVIA DO TRABALHO NAS MINAS DE COBRE. EDUCADO SOB A DURA DISCIPLINA DAQUELA ÉPOCA, CERTA VEZ APANHOU DE SUA MÃE ATÉ SANGRAR POR TER ROUBADO UMA NOZ. EM SUA ESCOLA, LEVOU 15 CHIBATADAS POR NÃO CONSEGUIR DECLINAR UM VERBO EM LATIM.

A ALEMANHA DAQUELE PERÍODO ENFRENTAVA DESOLAÇÕES E INÚMERAS DOENÇAS. A PESTE BUBÔNICA CEIFAVA INÚMERAS VIDAS, MATANDO CIDADES INTEIRAS. UM QUARTO DA POPULAÇÃO INFANTIL MORRIA ANTES DOS 05 ANOS DE IDADE.

SOMENTE HAVIA UM CONSOLO: A IGREJA E SUA PROMESSA DE UM PARAÍSO.

TAL PROMESSA HAVIA TRANSFORMADO A IGREJA NA INSTITUIÇÃO MAIS PODEROSA DO MUNDO. MAIS RICA DO QUE OS REIS, MAIS PODEROSA DO QUE OS IMPERADORES – MAS TAMBÉM TIRÂNICA E DESESPERADAMENTE CORRUPTA.

A GRANDE QUESTÃO PARA O HOMEM DAQUELES TEMPOS ERA: “COMO POSSO SER SALVO?”. LUTERO TAMBÉM VIVIA ANGUSTIADO COM ESSA QUESTÃO. JESUS CRISTO ERA APRESENTADO COMO UM JUIZ TERRÍVEL, PRONTO PARA ABATER COM SUA ESPADA OS PECADORES. O ÚNICO CAMINHO SEGURO ERA APROVEITAR TODOS OS RECURSOS QUE A IGREJA OFERECIA – SACRAMENTOS, PENITÊNCIAS, INDULGÊNCIAS, PEREGRINAÇÕES, A INTERCESSÃO DOS SANTOS, ETC – PARA TENTAR OBTER A SALVAÇÃO E A VIDA ETERNA. COMO MUITOS OUTROS EM SEU TEMPO, LUTERO EXPERIMENTAVA VIVIDAMENTE O “TERROR AO SAGRADO”.

ESTUDIOSO DEDICADO, EM 1502 ELE RECEBE O GRAU DE BACHAREL EM ARTES E EM 1505 O DE MESTRE EM ARTES. SEU PAI DETERMINARA QUE ELE DEVERIA ESTUDAR DIREITO, MAS EM JULHO DE 1505, DURANTE UMA VIAGEM, FOI SURPREENDIDO À NOITE POR UMA TERRÍVEL TEMPESTADE. RELÂMPAGOS RISCAVAM O AR. UM RAIO CAIU A POUCOS METROS DE LUTERO, LANÇANDO-O AO CHÃO. PROSTRADO DE JOELHOS, CLAMOU: “SANTA ANA, AJUDE-ME! SE ME SALVARES, TORNAR-ME-EI MONGE!”

O HOMEM QUE ASSIM INVOCAVA UMA SANTA MAIS TARDE REJEITARIA O CULTO AOS SANTOS. AQUELE QUE ACABAVA DE PROMETER TORNAR-SE MONGE MAIS TARDE RENUNCIARIA AO MONASTICISMO. LEAL FILHO DA IGREJA CATÓLICA, MAIS TARDE ABALARIA AS BASES DO CATOLICISMO. SERVO DEVOTO DO PAPA, MAIS TARDE IDENTIFICARIA OS PAPAS COM O PRÓPRIO ANTICRISTO.

TRÊS SEMANAS DEPOIS MARTINHO LUTERO ENTROU NO MOSTEIRO DA ORDEM DE SANTO AGOSTINHO EM ERFURT. EM 1507 FOI ORDENADO MONGE E NO MESMO ANO CELEBROU SUA PRIMEIRA MISSA. AQUELA MISSA FOI UMA EXPERIÊNCIA EXCRUCIANTE PARA LUTERO, ATERRORIZADO POR ESTAR DIANTE DA DIVINDADE – ELE, UM PECADOR, OUSAVA CONSAGRAR A HÓSTIA SAGRADA! NAQUELE TEMPO CRIA-SE QUE O HÁBITO DE MONGE ERA UM “SEGUNDO BATISMO” QUE PERDOAVA OS PECADOS; LUTERO, PORÉM, NÃO CONSEGUIA AQUIETAR SUA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA, QUE O ACUSAVA DIANTE DO DEUS TERRÍVEL DE SANTIDADE E JUSTIÇA. JEJUAVA POR VÁRIOS DIAS SEGUIDOS, SE AUTO-FLAGELAVA, PRATICAVA INÚMERAS PENITÊNCIAS, MAS SEMPRE E SEMPRE CONTINUAVA SENTINDO A MANCHA TERRÍVEL DO PECADO EM SUA CONSCIÊNCIA. “COMO POSSO SER SALVO?” ERA DEVOTO DE VÁRIOS SANTOS: CONFESSAVA-SE POR MAIS DE SEIS HORAS SEGUIDAS, REMOENDO CADA PEQUENO DETALHE DE SEUS ATOS E PENSAMENTOS, EM BUSCA DE PERDÃO. COMO UM HOMEM PODERIA SUPORTAR A PRESENÇA DE DEUS, A MENOS QUE FOSSE SANTO?

EM 1510-1511 SUA ORDEM O ENVIOU A ROMA A NEGÓCIOS. LÁ ELE TESTEMUNHOU A CORRUPÇÃO E A LUXÚRIA DA IGREJA ROMANA. FICOU CHOCADO COM A LEVIANDADE E IMORALIDADE DOS SACERDOTES ROMANOS. ELES PRÓPRIOS COSTUMAVAM DIZER QUE “SE EXISTE UM INFERNO, ROMA ESTÁ CONSTRUÍDA SOBRE ELE”.

EM 1511 LUTERO FOI TRANSFERIDO PARA A UNIVERSIDADE DE WITTENBERG. SEU LÍDER ESPIRITUAL, STAUPITZ, ACREDITAVA QUE LUTERO PODERIA VENCER SEUS MEDOS CASO ESTUDASSE A BÍBLIA, E EM WITTENBERG PRECISAVAM DE UM PROFESSOR. AO ENTRAR EM CONTATO COM AS ESCRITURAS, A FIM DE PREPARAR SUAS AULAS, LUTERO DEPAROU-SE COM A AFIRMAÇÃO DE PAULO EM ROMANOS 1.17: “O JUSTO VIVERÁ PELA FÉ”. ISSO O CONVENCEU DE QUE SOMENTE PELA FÉ EM CRISTO ALGUÉM PODE TORNAR-SE JUSTO DIANTE DE DEUS. O ESTUDO DA BÍBLIA O LEVOU A CRER SOMENTE EM CRISTO PARA A SUA SALVAÇÃO.

EM 1517 O MONGE DOMINICANO TETZEL COMEÇA A VENDER INDULGÊNCIAS NA ALEMANHA, PARA SUPRIR O PAPA LEÃO X DE RECURSOS A FIM DE PAGAR A GIGANTESCA SOMA DE DINHEIRO QUE ELE HAVIA EMPRESTADO AOS BANQUEIROS ALEMÃES FUGGER. LEÃO X QUERIA CONSTRUIR A BASÍLICA DE SÃO PEDRO, E QUERIA QUE A MESMA FOSSE MAIOR E MAIS PORTENTOSA DO QUE O ANTIGO PARTENON GREGO. TETZEL AFIRMAVA QUE AS INDULGÊNCIAS PODERIAM PERDOAR QUAISQUER PECADOS E QUE A CRUZ ERGUIDA COM O BRASÃO DE LEÃO X TINHA O MESMO PODER QUE A PRÓPRIA CRUZ DE CRISTO. ELE AFIRMAVA: “NO INSTANTE EM QUE UMA MOEDA TILINTA NO FUNDO DO COFRE, UMA ALMA ESCAPA DO PURGATÓRIO!”

AQUILO FOI DEMAIS PARA O RECÉM-CONVERTIDO MARTINHO LUTERO. EM 31 DE OUTUBRO DE 1517 ELE AFIXA 95 TESES NA PORTA DA IGREJA DE WITTENBERG. NELAS, EM LATIM, CONDENA O SISTEMA DE INDULGÊNCIAS E DESAFIA A TODOS PARA UM DEBATE SOBRE O ASSUNTO. A TRADUÇÃO PARA O ALEMÃO E A PUBLICAÇÃO DAS 95 TESES ACABAM POR TIRAR A DISCUSSÃO DO AMBIENTE ACADÊMICO E PRECIPITAR OS ACONTECIMENTOS.

EM JULHO DE 1519 LUTERO É CONVOCADO PARA DEBATER COM O REPRESENTANTE PAPAL, JOHN ECK. SOBREVIVE GRAÇAS AO APOIO DA NOBREZA ALEMÃ, PARTICULARMENTE DO PRÍNCIPE FREDERICO, ELEITOR DA SAXÔNIA E RESPONSÁVEL PELA UNIVERSIDADE DE WITTENBERG.

EM 1520 PUBLICA SUAS OBRAS APELO À NOBREZA GERMÂNICA, O CATIVEIRO BABILÔNICO E SOBRE A LIBERDADE DO HOMEM CRISTÃO. EM JUNHO O PAPA LEÃO X PROMULGOU A BULA EXSURGE DOMINE, QUE RESULTOU NA EXCOMUNHÃO DE LUTERO. AS OBRAS DE LUTERO SÃO QUEIMADAS EM ROMA. LUTERO QUEIMA A BULA PAPAL NA ALEMANHA.

EM NOVO CONCÍLIO, EM 1521, LUTERO NOVAMENTE RECUSA A RETRATAR-SE. LEVADO POR SEUS AMIGOS, CONTRA A SUA VONTADE, PARA O CASTELO WARTBURG, ONDE PERMANECEU ESCONDIDO ATÉ 1522, LUTERO ESCAPOU DA FÚRIA ASSASSINA DA IGREJA ROMANA.

EM SEU EXÍLIO EM WARTBURG LUTERO TRADUZIU A BÍBLIA PARA O ALEMÃO, A FIM DE QUE O POVO FINALMENTE TIVESSE ACESSO ÀS ESCRITURAS. ENQUANTO ISSO, SEUS ALIADOS NÃO PERDIAM TEMPO, LEVANDO ADIANTE A OBRA DA REFORMA. EM 1521 SAI A PUBLICAÇÃO DA OBRA LOCI COMMUNES, DE PHILLIPPE MELANCHTON. NELA, MELANCHTON REJEITOU A AUTORIDADE DA IGREJA ROMANA E DOS CONCÍLIOS, ESTABELECENDO ACIMA DE TODOS A BÍBLIA COMO AUTORIDADE FINAL PARA OS CRISTÃOS.

A BÍBLIA ALEMÃ DE LUTERO FOI FINALMENTE PUBLICADA EM 1534. FOI A PRIMEIRA BÍBLIA NO VERNÁCULO DO POVO ALEMÃO, E SERVIU DE MARCO PARA A PADRONIZAÇÃO DA LÍNGUA.

NA ESTEIRA DE LUTERO VIRIAM OUTROS REFORMADORES, COMO ULRICH ZWINGLIO E JOÃO CALVINO (AMBOS NA SUÍÇA), JOHN KNOX (NA ESCÓCIA) E OUTROS. DEPOIS VIRIAM OS ANABATISTAS E SUA REFORMA RADICAL, CUJO LÍDER DE UM DOS PRINCIPAIS GRUPOS FOI MENNO SIMMONS (OS MENONITAS TÊM ESSE NOME EM HOMENAGEM A ELE).

LOGO A REFORMA ESPALHOU-SE POR OUTROS PAÍSES DA EUROPA, COMO HOLANDA E MESMO A INGLATERRA, ONDE POR QUESTÕES MERAMENTE PESSOAIS O REI HENRIQUE VIII ROMPEU COM O PAPA E TORNOU-SE O CHEFE DA IGREJA INGLESA, DANDO ORIGEM AO ANGLICANISMO.

E NA HOLANDA DO SÉCULO XVII, UM GRUPO DE REFUGIADOS INGLESES DEU INÍCIO A UM MOVIMENTO DE FÉ QUE DARIA ORIGEM, POSTERIORMENTE, À IGREJA BATISTA. OS PRIMEIROS BATISTAS A PRATICAR O BATISMO POR IMERSÃO FORAM OS BATISTAS REFORMADOS (CALVINISTAS) INGLESES, QUE SE CONGREGARAM A PARTIR DE 1633.

OS PRINCÍPIOS DA REFORMA (CINCO SOLAS):

SOLA FIDE – SOLA GRATIA – SOLA SCRIPTURA – SOLUS CHRISTUS

SOLI DEO GLORIA

(SOMENTE A FÉ – SOMENTE A GRAÇA – SOMENTE AS ESCRITURAS

SOMENTE CRISTO – GLÓRIA SOMENTE A DEUS)

A REFORMA SURGIU DA DESCOBERTA DE UM HOMEM, E POSTERIORMENTE DA DESCOBERTA DE MUITOS POVOS, DO PODER DA PALAVRA DE DEUS – A DESCOBERTA DA BÍBLIA. HOJE, 493 ANOS DEPOIS, PRECISAMOS REFLETIR SOBRE O NOSSO PAPEL NO CENÁRIO RELIGIOSO CONTEMPORÂNEO. PRECISAMOS DE UMA NOVA REFORMA, QUE NOS LIBERTE DA TIRANIA E DA OPRESSÃO DOS MERCENÁRIOS RELIGIOSOS E DA IGNORÂNCIA DE SEUS SEGUIDORES. UMA PARCELA SIGNIFICATIVA DA IGREJA EVANGÉLICA, NESTE ALVORECER DO SÉCULO XXI, DEMONSTRA ESTAR TÃO CORROMPIDA QUANTO O CATOLICISMO ROMANO DO SÉCULO XVI. PRECISAMOS DE NOVOS LUTEROS, NOVOS CALVINOS, NOVOS REFORMADORES QUE TENHAM A CORAGEM DE SE POSICIONAR E DE MOSTRAR AO MUNDO, MAIS UMA VEZ, O PODER E A AUTORIDADE DA PALAVRA DE DEUS, A BÍBLIA SAGRADA.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O QUE UM CONFESSOR TEM A NOS ENSINAR SOBRE A CORAGEM? RICHARD WURMBRAND E A IGREJA PERSEGUIDA, ONTEM E HOJE

O Rev. Richard Wurmbrand foi ministro do Evangelho e passou quatorze anos como prisioneiro dos comunistas, torturado em sua própria terra, a Romênia. Os guardas tentaram forçá-lo a confessar que pertencia a uma rede de espionagem imperialista, foi açoitado, torturado e obrigado a ingerir drogas. Apesar de tudo ele resistiu e ficou firme. Passou dois anos na “cela da morte” – assim chamada por não ter voltado ninguém dali com vida.
Este notável cristão tem muito a nos dizer hoje sobre fé e coragem; o interessante é que, no entanto, que muito pouco hoje se fala sobre ele. Alguns teólogos dogmáticos afirmam que a história não é cíclica, o que discordo, pois o próprio escritor de provérbios mui sabiamente informa sentenciando: “o que é já foi o que há de ser também já foi; Deus fará renovar-se o que já foi” (Ec 3.15); “4Geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre. 5Levanta-se o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo. 6O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e revolve-se, na sua carreira, e retorna aos seus circuitos. 7Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá tornam eles a correr. 8Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem se enchem os ouvidos de ouvir. 9O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. 10Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós” (Ec 1.4-10).
Os rumores que têm inquietado os brasileiros hoje, inquietaram muitos cristãos sinceros no passado, pessoas que tiveram que lutar contra um autoritarismo e mordaça imposta pelo sistema dominante.
Já desde a aurora do Cristianismo havia essa tensão, basta dar uma pequena olhada nos escritos dos apologistas dos primeiros dois séculos, que tentavam dissuadir os imperadores e as autoridades de sua loucura contra a verdade do evangelho.
No obscuro período da Era das Trevas, igualmente poucas vozes se alçavam contra um descalabro de perversão intolerante de pensamentos diferentes e em pública manifestação de fé, podemos citar Savonarola na Itália, grande mártir poderoso na eloquência e invicto na fé; ou Huss, grande homem que foi traído por Sigismundo (retirou seu salvo conduto) ao que acabou sendo morto por ser fiel à sua consciência e a  seu amado Senhor, diz-se que morreu cantando.
Não poderia deixar de lado e estrela matutina na Reforma Protestante, seu nome: John Wycliffe que em 1380 traduz a Bíblia para a língua inglesa apesar da desaprovação da Igreja Romana. Poderia citar um sem número de outros heróis cristãos que merecem ser lembrados, mas isso seria trabalho para um livro, não para o que é proposto neste artigo sobre um mártir moderno.

Vou pular o período da Reforma, pois já escrevi sobre este tema, e o mesmo pode ser consultado neste mesmo blog, e faço um corte histórico e reporto para o período contemporâneo.
A República de Weimar foi sucateada pela política do Reich nazista, que ano após ano foi cerceando os direitos comuns e interferindo na vida do cidadão com uma ideologia de socialismo racial, tudo regado a muito dinheiro público e aparições hollywodianas, com discursos extemporâneos e inflamados, cheios de idealismo insano, profano, demagógico e preconceituoso.
Uma nação forte, precisa de um líder forte, e para isso o Reich tinha de que se orgulhar, Hitler – o salvador da pátria, o “messias” - resolveria tudo com seu plano bem descrito em “Mein Kampf” (“Minha Luta”, de 1924). Em 10 anos de guerra foram ceifadas mais de 70 milhões de vidas.
O Holocausto judeu, nos campos de concentração, é uma voz alçada aos quatro ventos do que a radicalidade de uma ideologia político-partidária é capaz de fazer, destarte todos os documentos, fotos e filmes da época, relatos de sobreviventes e todos os livros de história que foram escritos sobre o tema. Apesar de tudo isso, um sujeito da mesma estirpe de Hitler, muito menos carismático é claro, surge no paraíso dos aiatolás, o Irã, e peremptoriamente desdiz tudo o que está documentado sobre o genocídio judeu.
É de assustar que sujeitos como esse tenham relações com o Brasil, que, diga-se de passagem, está já há algum tempo flertando com totalitaristas. Por um lado estende o tapete vermelho a Mahmoud Ahmadinejad, por outro, morre de amores por Fidel Castro, ao mesmo tempo que tenta agradar Palestinos e Judeus, lê-se: gregos e troianos, tentando pacificar o mundo com uma ingenuidade forçosa e  discursos sofríveis.
Naquele período, negado por alguns que usam viseira de cavalo nos olhos, alguns vultos são dignos de nota. Karl Barth, fecundo teólogo dialético da escola neo-ortodoxa e Paul Tillich, adepto do liberalismo teológico e um de seus ícones, ambos tiveram que sair da Alemanha, pois estavam sendo perseguidos por não se encaixarem no enquadramento filosófico-ideológico do estado hitlerista, que à semelhança de um canto de sereia seduzia tanto católicos quanto evangélicos, sendo que uns e outros deveriam fazer frente à avalanche que se formava e serem os primeiros responsáveis por denunciar e sabotar aquele sistema iníquo. Todavia, capitularam. Com exceção de alguns que não dobraram seus joelhos àquele infame Baal nazista, dentre eles Dietrich Bonhoeffer, mártir, entre tantos dessa época.
Pelos idos de 1948, em outro país do Leste Europeu, mais precisamente na Romênia, residia o Rev. Richard Wurmbrand, que nos dá uma vívida imagem do que e como uma ideologia é capaz de agir. Diz ele: “a partir de 23 de agosto de 1944, um milhão de soldados russos entraram na Romênia, e logo após os comunistas assumiram o poder de nosso país. Então começou um pesadelo que fazia o sofrimento sob o nazismo parecer nada” (1). Prossegue Richard informando que a Romênia tinha uma população de dezoito milhões de pessoas e que o partido comunista tinha apenas dez mil membros, mas isso não impediu o ímpeto comunista, pois o secretário de exterior russo, chamado Vishinski, entrou no gabinete do Rei Miguel I da Romênia e esmurrando a mesa disse: “você tem que nomear comunistas para o governo!” (2).
Mas, qual é a semelhança do nazismo e do comunismo? São contrários! Não, os dois são socialismos, ao passo que o Nazismo é um socialismo de raça, o Comunismo é um socialismo de classe, mas ambos são socialismos, populistas e totalitários, será que a história não estaria se repetindo novamente de forma cíclica? Os homens não são somente responsáveis por seus pecados pessoais, mas também pecados cometidos no plano nacional (3).
Nosso Confessor prossegue: “desde que os comunistas assumiram o poder, cuidadosa e astutamente, para seus propósitos, têm seduzido a Igreja [...] quando os comunistas assumiram o poder, milhares de pastores, padres e ministros não sabiam como distinguir as duas vozes”. As vozes de que Richard se refere, são as vozes do amor e da sedução; o comunismo de seu tempo usava a voz da sedução, porém não amava, apenas usava o poder para seus sórdidos planos, exatamente como fez na Rússia, China, Coréia do Norte, Cuba e etc.
No congresso romeno, reunidas as autoridades religiosas, tanto católicas quanto protestantes, uma a uma começaram a exaltar Stalin (ateu) e declarar lealdade ao comunismo. Um padre chegou a colocar um emblema da foice e do martelo na batina e pediu para não mais o chamar de sua santidade, mas de camarada bispo (4). No lado protestante não era diferente, a foice e o martelo estavam em seus corações. A cegueira estava patente.
Wurmbrand então se levantou e discursou no Parlamento comunista, exaltando a Cristo, todo o país ouviu a proclamação do evangelho, ele pagou por isso, mas segundo o próprio Richard: valeu a pena.
O legado e as experiências desse confessor moderno devem nos fazer refletir, principalmente quanto ao maquiavelismo dos socialismos que presenciamos, que tudo fazem para chegar ao poder e depois de lá instalados, tudo fazem para se manter lá, basta dar uma olhadinha na Venezuela, Bolívia, Cuba e que Deus nos guarde de acontecer aqui no Brasil.
A sórdida dissimulação para alguns não é percebida, mas está diante de nossos olhos. Defensores do populismo vociferam contra o Cristianismo: “Calhordice, Calhordice”, e mais uma vez Maquiavél é confirmado. No entanto aqueles com uma mínima cultura podem perceber quem são os calhordas na história, bem como os covardes, que não merecem ser chamados de homens, pois ao primeiro sinal de censura capitulam.
Richard Wurmbrand, depois de sua declaração de fidelidade a Cristo, foi posto em uma cela por dois anos sem ver a ninguém, exceto seus torturadores, sua esposa foi levada para uma prisão e lá também foi torturada. Para este grande homem, que o mundo não foi digno de tê-lo, o viver era Cristo e o morrer, ganho. Sofreu, foi torturado por sua fé, que hoje alguns vendem por promessas, barganham em conchavos, esbravejam tachando-a de calhordice.
Se perguntássemos a Richard hoje, se foi difícil, certamente a resposta seria sim, muito difícil, mas ele arremataria dizendo: “Valeu apena”. Nas palavras de Billy Graham: “seu  desafio não será em vão”. Que Richard nos fale hoje.


NOTAS
(1)   WURMBRAND, Richard. Torturado por amor a Cristo. Ed. Voz dos mártires, p.14.
(2)     Ibidem.
(3)     Idem, p.15.
(4)     Idem, p. 16.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

MISSÃO URGENTE - VÁ E PREGUE

 “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.”
Mt 28.18, 20


“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado”.
Mc 16.15,16


A grande comissão de Jesus Nosso Senhor foi determinada de forma clara, pois a loucura da pregação é o modo usado por Deus para a Salvação do ser humano. Tendo sempre isso em mente, devemos usar de todos os meios para proclamar o Evangelho a todos os povos.
Missões é o grande empreendimento legado de Jesus à sua Igreja triunfante e militante. Todo cristão tem o dever de ser uma testemunha de Jesus Cristo onde quer que se encontre - deveras, cada vez que o cristão se comporta de forma condigna do Evangelho, ele se torna sal e luz no mundo. Isso não significa aceitação social, mas impacto social. Foi assim que os cristãos primitivos cumpriram seu papel na grande comissão.
Em meu pequeno opúsculo, não tenho a empáfia de resolver o assunto, muito menos de fechá-lo, todavia, escrevo conforme creio, pois creio e confesso e isso me leva à ação. Nesses poucos anos de ministério pastoral, os quais, na maior parte dos mesmos, passados no campo missionário, ouvi vários argumentos e questionamentos (pelo menos uma dezena) sobre Missões e os povos não alcançados bem como missões dentro do plano soteriológico.
Um dos questionamentos mais freqüentes quanto à salvação e missões se dá por conta da questão dos que não ouviram e morreram; entre eles o caso dos índios, visto que só uma parte deles tem o testemunho do Evangelho, enquanto a outra parte jaz em densas trevas. Gostaria de desenvolver o assunto em forma de perguntas e respostas, creio que assim será mais elucidativo.
A primeira pergunta é quanto à bondade de Deus: Não seria injustiça Deus condenar quem ainda nada ouviu? Não. Todo ser humano já nasce merecedor da justiça de Deus, o grande problema das pessoas é a falta de entendimento do que é justiça e injustiça.
Quando o Senhor condena um ser humano, a culpa não é de Deus, mas do homem, que já foi concebido em iniquidade e nascido em pecado (Sl 51.5); condenado por um crime que cometeu em Adão, pois este era seu representante, e a queda dele foi a de toda a raça humana (Rm 3.23): “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”; bem como o salário do pecado é a morte (Rm 6.23).
Mas como temos ligação com o pecado de Adão? Simples, estávamos nele, assim como Levi estava em Abraão, dando o dízimo a Melquisedeque: “Pois Levi não tinha nascido, e, por assim dizer, ainda estava no corpo do seu antepassado Abraão quando este se encontrou com Melquisedeque” (Hb 7.10, NTLH).
Sendo Assim, já foi visto como morremos em Adão, como o pecado dele foi o nosso. Daí recorre a questão da Justiça X Injustiça. Ninguém quer ter um Deus injusto, mas todos querem um Deus Justo, mas como argumenta belamente Paul Archer, visto que Deus é justo, você está em grande problema, pois Deus é justo, no entanto você é injusto. Visto ser esse um fato, pois a Escritura está repleta dessa doutrina da depravação total do ser humano em textos como Gn 6.5: todo o pensamento humano é mau; Sl 143.2: “ À vista do Senhor não há ser vivente justo”; Rm 3.10: “como está escrito: Não há justo, nem um sequer”, ainda pode ser dito que o ser humano naturalmente não entende nada das coisas referentes a Deus (Rm 3.11): “não há quem entenda, não há quem busque a Deus”. O mesmo verso informa ainda que não há quem busque a Deus, nisso pensando, fica evidente que isso é impossível ao homem, seja ele silvícola ou urbano. Categoricamente o homem não tem livre arbítrio, pois nem pode achegar-se a Cristo (Jo 6.64).
Posto que Deus seja Justo e como foi visto, o homem é injusto, pode-se definir justiça por “receber o que se merece” e o que merecemos, senão o inferno?   A salvação é pela graça e graça é favor não merecido, você não conquista, você ganha de presente (Ef 2.8,9). Deus não usa justiça com alguns, usa de misericórdia, não aplicando neles a justa pena que seus pecados merecem e os salva segundo o propósito de sua vontade (Rm 8; Rm 9; Ef 1.4-11). Quanto aos outros, recebem justiça de Deus, tenham eles ouvido e rejeitado o Evangelho, ou tenham eles nunca ouvido uma pregação da Palavra de Deus.
Por esse motivo deve-se empenhar todo e qualquer esforço na obra missionária, tanto nacional quanto transcultural, pois todo o ser humano está andando para a perdição eterna. Portanto devemos pregar, pois a ordem foi dada, e todos os eleitos ouvirão e crerão no Evangelho. Mas alguns poderiam dizer: “então pregue somente aos eleitos”, ao que pode ser respondido – mostra-nos os eleitos que iremos a eles! Como não se sabe quem são os escolhidos de Deus, deve-se pregar a todos os homens.
E a pregação é o meio usado por Deus para a salvação do ser humano (1Co 1.18, 21-25): “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus [...]Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.”
Poderia ainda trazer a discussão Romanos 10.8-15: “Porém que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos. Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação.  Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que nele crê não será confundido. Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!”
Aquele que invoca é o que ouviu a mensagem da fé em Cristo pregada pelos cristãos e tornada irresistível pelo Espírito Santo – como invocarão aquele em quem não creram? Outra questão deve ser tratada. Como se dá a fé? Não seria ouvindo e crendo no Evangelho, por meio da ação irresistível do Espírito Santo? Sim, veja novamente; “O meu ensinamento e a minha mensagem não foram dados com a linguagem da sabedoria humana, mas com provas firmes do poder do Espírito de Deus. Portanto, a fé que vocês têm não se baseia na sabedoria humana, mas no poder de Deus” (1Co 2.4,5); “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” (Hb 10.17).
Como fica a situação dos índios e dos que ainda não ouviram? Eles como qualquer outro ser humano, precisam ouvir o Evangelho e receber o novo nascimento dado por Deus.
Mas, o Evangelho não está em sua consciência? Não, o que há em suas consciências é a Lei, e a Lei não pode salvar ninguém, ninguém é absolvido por obedecer a Lei, seja ela escrita em tábuas de pedra, preceitos humanos ou na consciência. Uma primeira leitura parece amparar quem defende uma salvação pela consciência, no entanto, não é isso que Paulo tem em mente ao referendar a consciência indesculpável dos seres humanos: “Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se” (Rm 2.15).
Veja que os pensamentos, tendo a Lei como base, processam uma reprovação ou uma aprovação (acusação X defesa) em todo o coração humano, no entanto nunca uma absolvição, esta palavra absolvição não se encontra no texto acima, pois se uma absolvição com base no julgamento da consciência de algum pecador morto em pecados pudesse absolvê-lo de suas transgressões com base naquilo que ele já tem de conhecimento rudimentar da natureza, sem a pregação do Evangelho, seria isso um início de auto-salvação e sendo a mesma pelas obras.
Longe disso, a Escritura é taxativa ao informar que a Salvação vem de Deus (Jn 2.9): “Mas, com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei. Ao Senhor pertence a salvação!”; “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).
Pode-se ainda colocar outra barreira intransponível ao argumento da salvação pela consciência. A que Paulo em 1Co 4.4 diz: “Porque de nada me argúi a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor”. Quem é o juiz? Paulo se dá por satisfeito tendo como base somente a consciência?
O Apóstolo dos Gentios dá outro golpe na “salvação por consciência” – ao dizer que alguns tinham uma consciência fraca (1Co 8.7), sem contar aqueles que pela insistência em sua iniquidade contumaz cauterizaram a própria consciência (1Tm 4.2). Encerrando o assunto tomo o texto sagrado e, novamente Paulo fala que os descrentes têm a consciência corrompida (Tt 1.15). Segue-se as perguntas: quem é descrente? E, como encontra-se o estado de suas consciências? Mesmo este testemunho da lei Escrita na consciência não salva, assim como Rm 1.18-23, diz que pode-se conhecer algo de Deus, e de seus atributos invisíveis por meio daquilo que Ele fez, isto é, a criação e a própria consciência, mas isso, ao invés de salvar, serve para que o homem seja indesculpável, veja: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis.”  
Resumindo, como é a consciência dos incrédulos?
1. Fraca (1Co 8.7)
2. Cauterizada (1Tm 4.2)
3. Corrompida (Tt 1.15)
4. Raciocínio Nulos (Rm 1.21)
5. Corações insensatos e obscuros (Rm 1.21).

Qual é a condição de todos os homens? Mortos.
Qual é a condição das consciências humanas? Depravadas, corrompidas, cauterizadas, nulas, insensatas, obscuras – isso é; sem ação salvífica.
Qual a condição dos pecadores sem a graça? Mortos em delitos e pecados
Qual é o meio de graça usado por Deus para a Salvação dos pecadores? A  pregação do Evangelho escrito.
Há diferença quanto à natureza do índio e daquele que mora no grande centro urbano? Não, os dois são igualmente perdidos e carentes da graça salvadora.
Se alguém morre sem ouvir a pregação? Morre na sua maldade (impiedade, Ez 3.18,19). Por isso é imprescindível usar de todos os recursos e depreender todos os esforços para a pregação do Evangelho e que o mesmo chegue a todos os recantos do mundo, pois é isso que a Escritura nos ensina em suas páginas – Quem crer (Mc 16.16). Como crerão? Crerão em quem?
Que Cristo Jesus nos dê a capacidade de pregar o Evangelho da Salvação a todos os homens que estiverem ao nosso alcance; e aos que estão longe, possamos usar de todos os meios para levar a eles o Evangelho, se possível até mesmo indo até eles, pois só serão salvos por meio da pregação.
Não sejamos relapsos em nosso supremo dever de evangelizar, usando uma boa teologia de forma errada, nem tampouco heterodoxos usando má teologia por mera preferência pessoal, nem ainda sejamos obstinadamente ignorantes, rejeitando o testemunho das Escrituras.
Soli Deo Gloria

domingo, 27 de junho de 2010

A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA PARA NOSSAS VIDAS, HOJE


1 – A NECESSIDADE DA INTERPRETAÇÃO

O propósito da interpretação bíblica não é “descobrir” algo que “ninguém tinha percebido antes”.

O propósito da interpretação bíblica é chegar ao significado simples do texto. O ingrediente mais comum nessa tarefa é o senso comum iluminado pelo Espírito Santo. A boa interpretação dá bom sentido ao texto. A prova da boa interpretação é a paz que ela confere à mente e o consolo que fornece ao coração.

Todo leitor é um intérprete. Ao ler um texto, naturalmente pensamos que entendemos o mesmo. Mas será que o entendemos do modo como o escritor original desejava que fosse entendido? Estamos separados por mais de dois mil anos dos autores bíblicos. Além disso, lemos traduções da Bíblia, e toda tradução é uma interpretação.

Ao aproximar-nos de um texto, geralmente trazemos a ele tudo o que somos: nossas ideias, opiniões, preconceitos, enfim, toda a nossa visão de mundo e cultura. Algumas vezes isso nos faz colocar no texto coisas totalmente alheias a ele.

Algumas das mais terríveis heresias surgiram da interpretação errônea da Bíblia. Por exemplo, as pseudoigrejas que atualmente pregam o chamado “evangelho da prosperidade” afirmam encontrar “base bíblica” para seus ensinos em textos (como 3Jo 2, por exemplo) que nada têm a ver com prosperidade financeira.

George Ladd, teólogo batista, declarou certa vez: “A Bíblia é a Palavra de Deus dada em palavras humanas dentro da História”. A natureza da Bíblia – e o modo como a encaramos – também influencia na sua interpretação. Há os que se aproximam da Bíblia como texto sagrado, e há aqueles que se aproximam dela como um livro meramente humano, um livro religioso como outro qualquer.

Como Palavra de Deus, escrita por seres humanos, a Bíblia tem, simultaneamente, relevância eterna e particularidades históricas. O bom intérprete bíblico precisará lidar com essa tensão.

No tocante ao “lado humano” da Bíblia, há dois fatores que precisamos levar em conta no processo de interpretação:

1º. Ao falar através de pessoas reais, numa variedade de circunstâncias, durante um período de 1500 anos, a Palavra de Deus foi expressa no vocabulário e nos padrões de pensamento daquelas pessoas e foi condicionada pela sua cultura, seus tempos e suas circunstâncias. Por isso precisamos, em primeiro lugar, aprender o que a Palavra significava para seus ouvintes originais. Devemos compreender o que foi dito a eles em seu tempo e lugar; para depois aplicar seus princípios em nosso tempo e lugar.

2º. A Bíblia faz uso de uma profusão de gêneros literários diferentes: narrativa histórica, genealogias, crônicas, leis, poesia, provérbios, oráculos proféticos, parábolas, cartas, sermões, etc. É preciso levar em consideração as regras de interpretação apropriadas para cada gênero literário, e o modo como Deus os utiliza para falar conosco hoje. Por exemplo, um Salmo, que foi escrito para falar com Deus, é diferente de uma porção da Lei, que foi escrita para dirigir-se aos homens. Hoje, porém, devemos aplicar ambos em nossas vidas, e aplicá-los corretamente.

2 – AS TAREFAS DO INTÉRPRETE

2.1. PRIMEIRA TAREFA: EXEGESE

Exegese é o estudo cuidadoso e sistemático da Escritura para descobrir seu sentido original. É fundamentalmente uma tarefa histórica. É a tentativa de ouvir a Palavra de Deus da mesma forma como a ouviram seus destinatários originais, encontrando assim a intenção original das palavras da Bíblia. Essa tarefa normalmente requer a ajuda de um pesquisador que conheça os idiomas originais da Bíblia, porém, seguindo certos passos, mesmo pessoas leigas podem fazer uma exegese.

De certo modo todos são exegetas. A questão é se são bons ou maus exegetas.

Num nível mais elevado, a exegese requer o conhecimento dos idiomas bíblicos; das culturas semítica, judaica e helenista; a determinação do texto original quando os manuscritos apresentam várias versões; o uso de todo tipo de fontes, recursos e instrumentos. No entanto, pode-se aprender a fazer exegese mesmo sem ter acesso a todas essas habilidades e ferramentas. Para tanto, deve-se primeiramente aprender o que cada um pode fazer com suas próprias habilidades. Em segundo lugar, deve-se aprender a utilizar o trabalho de outros.

A chave para uma boa exegese, e para uma leitura eficaz da Bíblia, é ler o texto com atenção e fazer as perguntas apropriadas a cada texto.

Há dois tipos fundamentais de perguntas que o leitor deve fazer: as que se referem ao contexto e as que se referem ao conteúdo. As perguntas de contexto dividem-se em duas categorias: históricas e literárias.

Perguntas de contexto.

Contexto histórico. Deve-se levar em conta a época e a cultura do autor e de seus leitores (nem sempre serão as mesmas); aspectos geográficos e políticos; a ocasião em que o texto (salmo, profecia, epístola, etc) foi escrito. Exemplo: história pessoal de Amós, Oséias, Isaías; a situação histórica na época de Ageu; as esperanças messiânicas de Israel nos ministérios de João Batista e Jesus; as características de cidades como Corinto e Filipos; etc.

Há recursos que podem fornecer ajuda para responder a essas questões: dicionários bíblicos, comentários, manuais bíblicos, livros sobre a história bíblica, entre outros.

As perguntas mais importantes no contexto histórico, no entanto, são as que se referem à ocasião e ao propósito de cada livro bíblico. Bons comentários e manuais bíblicos podem ser muito úteis neste caso, bem como algumas Bíblias de estudo.

Contexto literário. As palavras somente têm significado dentro das frases em que se encontram, e as frases, dentro das orações mais longas em que se encontram (parágrafos, trechos), e estas orações mais longas, por sua vez, encontram seu significado de acordo com as orações que as antecedem e que as sucedem. É isso o que as pessoas querem dizer quando falam de ler algo dentro de seu contexto.

As perguntas mais importantes que devemos fazer no contexto literário, em cada frase e em cada parágrafo, é: “Qual é o propósito? Qual a finalidade?”. Devemos seguir o pensamento do autor. O que o autor está dizendo, e por que está dizendo isso, em certo momento ou lugar? Depois de encontrar a resposta, questionar: O que o autor dirá a seguir? Essas sempre serão perguntas decisivas, fundamentais para a compreensão do texto bíblico. Afinal, o objetivo da exegese é descobrir a intenção original do autor. Para realizar essa tarefa, é imprescindível o uso de uma boa tradução da Bíblia, que reconheça os diferentes gêneros literários, que mostre claramente os parágrafos de uma narrativa, que saiba reconhecer uma poesia. Uma tradução da Bíblia que utiliza um parágrafo para cada versículo deve ser evitada. (Um bom exemplo de tradução que reconhece parágrafos e poesia é a Nova Versão Internacional [NVI]. Muitas pessoas nem ao menos sabem que tipo de tradução da Bíblia estão utilizando. Um leitor consciente deve conhecer as características das diversas traduções e versões bíblicas disponíveis no mercado, e então escolher a que melhor se encaixa em seu perfil e em suas necessidades. O ideal é possuir o maior número possível de versões bíblicas.)

Perguntas de conteúdo.

São as que se referem ao significado das palavras, às relações gramaticais, à seleção do texto original quando há várias versões nos manuscritos. Também leva-se em consideração perguntas referentes ao contexto histórico, como por exemplo: o significado de termos e expressões como denário, viagem de um dia de sábado, lugares altos, etc.

Para isso novamente precisaremos de ajuda externa. Um bom dicionário bíblico, ou exegético, é fundamental. Comentários bíblicos também podem ser utilizados, mas com cautela. É preciso saber reconhecer os bons autores de escritores medíocres, ou de autores que seguem linhas teológico-doutrinárias questionáveis. Há quatro recursos ou instrumentos indispensáveis para uma exegese: dicionários bíblicos, um bom Manual bíblico, boas traduções da Bíblia e bons comentários bíblicos, escritos por autores confiáveis.

2.2. SEGUNDA TAREFA: HERMENÊUTICA

A hermenêutica cobre todo o campo da interpretação, incluindo a exegese. Porém, aqui, usaremos o termo hermenêutica de modo mais restritivo, significando a busca pela relevância contemporânea de textos antigos. Em outras palavras: o que o texto bíblico fala para nós, hoje?

Devemos ler a Bíblia de forma devocional. Mas também devemos ler a Bíblia para entender, aprender, e assim aplicar. O estudo da Bíblia certamente enriquecerá nossa leitura devocional. Assim, a hermenêutica apropriada começa com uma exegese sólida.

A razão pela qual devemos começar pela exegese é simples: o único controle apropriado da hermenêutica (interpretação) encontra-se no propósito original do texto bíblico. E somente chegamos a esse propósito original por meio da boa exegese. Senão, o leitor poderá dar qualquer significado a qualquer texto bíblico. Cada leitor terá sua própria “interpretação”. A subjetividade de cada “intérprete” seria a norma. Porém, a Bíblia é um livro objetivo, que possui uma interpretação objetiva e apropriada para cada texto, para cada uma das sessenta e seis obras que a compõem. Por isso é simplesmente essencial utilizar as ferramentas da exegese e da hermenêutica para chegar a um correto entendimento da mensagem bíblica.

Devemos chegar ao significado original do texto. Um texto não pode significar, hoje, o que jamais significou. O verdadeiro significado de um texto bíblico, para nós, hoje, é aquele que Deus se propôs originalmente que significaria quando o revelou. Esse é o nosso grande objetivo, a nossa tarefa como hermeneutas (intérpretes) da Bíblia.

3 – INSTRUMENTOS BÁSICOS

3.1. Traduções.

A Bíblia foi escrita originalmente em três idiomas: hebraico (na maior parte do Antigo Testamento), aramaico (idioma irmão do hebraico utilizado em partes de Daniel e Esdras e um versículo de Jeremias) e grego (em todo o Novo Testamento). Nem todos os leitores têm conhecimento desses idiomas. Isso significa que o primeiro instrumento básico do intérprete da Bíblia é uma boa tradução – ou melhor, várias boas traduções.

Ler uma tradução é ler uma interpretação. Ao utilizar somente uma tradução, o leitor fica comprometido com a interpretação daquela equipe específica de tradutores. E mesmo as melhores traduções da Bíblia podem conter imperfeições.

Qual tradução escolher? Simplesmente aquela que “eu gosto”? Precisamos conhecer alguns fatos sobre os manuscritos bíblicos, sobre a ciência da tradução e sobre as diversas traduções disponíveis em português, antes de escolher nossa “favorita”.

O Antigo Testamento possui, hoje, duas “famílias” principais de manuscritos: o Texto Massorético (TM) e os Manuscritos do Mar Morto (MMM).

Os massoretas eram os escribas judeus que padronizaram o texto hebraico do Antigo Testamento (c. 500-1000 d.C.). O TM que temos hoje baseia-se em manuscritos produzidos com cuidado reverente pelos escribas judeus ao longo de séculos. Recebe o apoio de traduções do Antigo Testamento (isto é, a Bíblia Hebraica) para outras línguas, especialmente a Septuaginta (LXX), versão grega datada dos séculos III e II a.C.

Outra família de manuscritos foi descoberta em 1947, a doze quilômetros ao sul de Jericó, por um jovem pastor árabe chamado Muhmmad adh-Dhib. Foi uma das maiores descobertas arqueológicas do século XX. Tratavam-se dos “Manuscritos do Mar Morto” (MMM). Dentre eles, havia rolos contendo livros do Antigo Testamento, que confirmaram a autenticidade dos manuscritos do TM. Praticamente todas as traduções da Bíblia em português utilizam o TM. As mais recentes (NVI, A21) também levam em consideração a LXX, os MMM e outras traduções antigas.

Existem mais de 5.000 manuscritos do Novo Testamento, que se dividem em duas “famílias” principais: o Texto Bizantino (também conhecido como Textus Receptus ou Texto Recebido) possui um número maior de manuscritos, porém mais recentes. Algumas das traduções da Bíblia em português que utilizam o Texto Bizantino são: Almeida Corrigida Fiel (ACF), da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil (SBTB); Almeida Revista e Corrigida (ARC), da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB); e a Edição Contemporânea de Almeida (ECA), da Editora Vida.

A segunda família de manuscritos do NT é conhecida como Texto Alexandrino (ou Texto Crítico ou ainda Texto Neutro). Possui poucos manuscritos, porém mais antigos. Sua maior característica é um texto mais enxuto e confiável. Fazem uso do Texto Alexandrino as seguintes traduções: Almeida Revista e Atualizada (ARA), da SBB; Nova Versão Internacional (NVI), da Sociedade Bíblica Internacional (SBI); Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH), da SBB; e a recente Almeida Século 21 (A21), de Edições Vida Nova.

3.2. Dicionários.

Outra ferramenta indispensável para o intérprete da Bíblia são os dicionários. Não somente os dicionários bíblicos, mas é fundamental ter um excelente dicionário da Língua Portuguesa!

Quanto aos dicionários bíblicos, sugerimos os seguintes:

DAVIS, John. Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Editora Hagnos.

DOUGLAS, J. D. (ed.). O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Edições Vida Nova.

YOUNGBLOOD, Ronald F. Dicionário Ilustrado da Bíblia. São Paulo: Edições Vida Nova.

3.3. Manuais Bíblicos.

Há no mercado brasileiro excelentes Manuais Bíblicos. Um manual desse tipo é uma obra de referência para a vida toda.

DOCKERY, David D. Manual Bíblico Vida Nova. São Paulo: Edições Vida Nova.

HALLEY, Henry. Manual Bíblico de Halley. São Paulo: Editora Vida.

UNGER, Merril Frederick. Manual Bíblico Unger. São Paulo: Edições Vida Nova.

3.4. Comentários Bíblicos.

Esta é a ferramenta mais delicada e a última que deve ser consultada. Há muitas coleções de comentários bíblicos disponíveis em português (o que é bom), porém algumas delas não são confiáveis, porque foram escritas por autores comprometidos com teologias alheias à fé cristã histórica. No entanto, há Editoras sérias e responsáveis em nosso país, que publicam obras de qualidade. Recomendo os comentários bíblicos publicados pelas seguintes editoras: Vida Nova, Shedd Publicações, Hagnos, Cultura Cristã, Editora Fiel, ABU (Aliança Bíblica Universitária), Editora Evangélica Esperança.

Todo estudante sério da Bíblia deve ler comentários, e jamais prender-se a um único autor. Há alguns fatores que devem ser levados em consideração antes de ler um comentário:

1º. O comentário deve ser exegético – o autor deve conhecer os idiomas originais da Bíblia e fazer uso deles, ao longo de sua obra.

2º. O autor deve comentar a respeito de todos os significados possíveis de determinados textos (especialmente os reconhecidamente difíceis!).

3º. O autor deve conhecer e expor os contextos histórico, cultural, geográfico, etc, de cada texto.

4º. O autor deve mencionar (geralmente no fim do livro) uma bibliografia razoável para aprofundamento dos estudos.

4 – GÊNEROS LITERÁRIOS DA BÍBLIA E SEUS ASPECTOS HERMENÊUTICOS – UM BREVE PANORAMA ILUSTRATIVO

4.1. Epístolas.

A literatura epistolar da Antiguidade é profusa. Milhares de epístolas foram encontradas, além daquelas contidas no Novo Testamento. A epístola é um gênero literário dirigido a um público – não se trata meramente de uma “carta” escrita para ser lida apenas por uma pessoa ou um pequeno grupo. As epístolas seguem em geral o seguinte esquema:

1. Nome do escritor.

2. Nome do destinatário.

3. Saudação.

4. Oração ou ação de graças ou doxologia (elemento variável).

5. Texto.

6. Saudação final e despedida.

O intérprete bíblico precisa levar em consideração que todas as epístolas são documentos de ocasião, isto é, foram escritas devido a um evento ou ocasião específicos, com um motivo ou propósito singular. São casuais, e dependem de uma série de fatores históricos, culturais, políticos, etc.

Tomemos como exemplo 1Coríntios. Para compreender corretamente essa epístola, devemos, em primeiro lugar, tratar de compreender adequadamente a situação pela qual estava passando a igreja de Corinto, bem como a cultura daquela cidade, sua história, características, etc. Precisamos utilizar os recursos acima descritos – dicionários, manuais bíblicos, comentários – para que possamos conhecer a Corinto antiga e suas peculiaridades.

Em segundo lugar, para o estudo ser eficaz devemos formar o hábito de ler toda a epístola, e fazê-lo muitas vezes. As epístolas eram lidas dessa forma, e não de modo fragmentado. É fundamental ler a epístola várias vezes. Ao ler, devemos observar e anotar. Alguns exemplos de anotações:

1. Quem são os destinatários (judeus, gregos, escravos, livres, seus problemas, suas atitudes, etc).

2. A atitude do autor (no caso de 1Co, Paulo. Com que propósito ele está escrevendo? Qual seu objetivo?).

3. As coisas específicas mencionadas referentes à ocasião particular dessa epístola (que situação era aquela?).

4. As divisões lógicas e naturais da epístola.

Precisamos perceber qual a natureza precisa de cada um dos problemas dos destinatários (em nosso exemplo, de Corinto). Para isso deveremos estudar o contexto histórico de Corinto, bem como o contexto literário da epístola. Aqui, devemos aprender a “pensar em parágrafos”. É essencial identificar a ideia central de cada parágrafo da epístola. Naturalmente, o uso de uma tradução adequada é importantíssimo. A NVI, sabiamente, utiliza a divisão correta para cada gênero literário da Bíblia. Utilizando uma tradução assim, o leitor não terá dificuldade alguma para identificar cada parágrafo. Devemos reconhecer, igualmente, as metáforas, ilustrações, figuras de linguagem, etc, empregadas pelo autor da epístola.

Devemos lembrar sempre da “regra de ouro”: um texto não pode significar para nós, hoje, o que nunca significou para seu autor ou para seus leitores originais.

Algumas passagens certamente permanecerão obscuras para o leitor. Afinal, as epístolas não foram escritas originalmente para leitores do século XXI. Futuras pesquisas poderão elucidar trechos problemáticos.

Há um abismo cultural de dois mil anos entre os escritores e leitores originais do Novo Testamento e nós, hoje. Não devemos jamais esquecer esse fato.

4.2. Narrativas do Antigo Testamento.

Mais de 40% do AT é narrativa. A narrativa é um relato verídico, a história de Deus. É a história da intervenção de Deus na vida das pessoas e através das pessoas ao longo dos séculos. Geralmente, a narrativa não traz um ensinamento direto, porém exemplifica o que é ensinado diretamente em outro lugar. Por exemplo: na história de Davi e Bate-Seba, não há um ensino sistemático sobre adultério e assassinato, mas o que aconteceu com Davi posteriormente, ao enfrentar as gravíssimas consequências de seus atos, ilustra e exemplifica o caráter hediondo do adultério e do homicídio.

Há alguns princípios para a interpretação das narrativas do AT:

1. Uma narrativa geralmente não ensina diretamente uma doutrina, somente ilustra o que é ensinado como doutrina em outra parte da Bíblia.

2. A narrativa nos informa o que realmente aconteceu, historicamente, não o que deveria ter acontecido. Registra igualmente os acertos e os erros dos homens. Há exemplos que devem ser seguidos, mas há outros que devemos evitar a todo custo.

3. Nem sempre somos informados pela narrativa se as ações de um determinado indivíduo foram boas ou más. Devemos julgar os fatos narrados a partir do ensino global das Escrituras.

4. Todas as narrativas são seletivas e incompletas. Muita coisa do que ocorreu foi omitida.

5. As narrativas não foram escritas para resolver questões teológicas.

6. Deus sempre é o herói de todas as narrativas bíblicas.

Conhecer o contexto histórico é simplesmente indispensável para interpretar corretamente as narrativas do AT. É preciso tomar muito cuidado para não “alegorizar” as narrativas, fazendo-as significar hoje o que jamais significaram. E lembre-se: não tente imitar nenhuma personagem bíblica. A história de José aconteceu com José. Jamais se repetirá com qualquer outra pessoa.

O mau uso das narrativas do AT é uma das características de boa parte das igrejas “evangélicas” atuais, especialmente as neopentecostais, em sua ânsia por extorquir o povo simples que as frequenta. Ao interpretar as narrativas do AT, precisamos levar em conta, sempre, o contexto global das Escrituras, especialmente a revelação maior e mais profunda encontrada no Novo Testamento.

4.3. Os Evangelhos: Uma história em quatro dimensões.

Havia diferentes comunidades que precisavam de uma história de Jesus. Marcos provavelmente foi o primeiro evangelho a ser escrito. Depois foi “ampliado” por Mateus e Lucas. Tempos depois, João também escreveu seu evangelho. Cada um deles é um testemunho de Jesus, de acordo com seu ponto de vista, voltado para as necessidades de seu próprio público. Para estudá-los, é preciso buscar conhecer o contexto histórico de Jesus, o contexto histórico de cada evangelista e de seu público original. E dentro de um evangelho há narrativa histórica, ensino doutrinário, parábolas, profecias, etc. Cada um desses gêneros literários deve ser interpretado de acordo com sua natureza.

Os evangelhos contêm notas biográficas sobre Jesus, porém não são biografias. Ele não relatam com detalhes a vida de Jesus Cristo, mas trazem os fatos dos quais necessitamos saber para a nossa salvação.

A primeira tarefa da exegese é estar consciente do contexto histórico. Para bem compreender os evangelhos, em primeiro lugar precisamos pesquisar a vida e os tempos de Jesus, bem como seu contexto religioso, cultural, social, político e econômico. Devemos igualmente pesquisar a respeito de cada evangelista: Mateus, Marcos, Lucas e João. Qual o objetivo de cada um deles ao escrever sobre Jesus? Quem eram seus leitores originais? Em que época e lugar cada evangelho foi escrito? Além disso, devemos conhecer os diversos gêneros literários que formam um evangelho, especialmente a parábola, gênero muito utilizado por Jesus em seus ensinos. Outros gêneros presentes nos evangelhos são o ensino, a ordenança, a narrativa e passagens escatológicas.

A Bíblia é o mais importante livro de todos os tempos; é a Palavra de Deus. Ler a Bíblia de forma irresponsável e descuidada é uma tragédia. É uma das calamidades que assolam a igreja evangélica brasileira na atualidade. É uma das causas pelas quais muitas “igrejas”, no Brasil de hoje, não são verdadeiramente igrejas, no sentido neotestamentário do termo. Uma das marcas de uma verdadeira igreja é o estudo diligente e a interpretação correta da Palavra de Deus.

Fonte: FEE, Gordon; STUART, Douglas. La Lectura Eficaz de la Biblia. Miami: Vida, 1985.